O RESGATE DE LUIGI
Com o objeto em mãos, Gigi e Artur juntaram-se a Manoel. Gilda mostrava o colar ao amigo arqueólogo na esperança de ele decifrar de qual material era feito. Nonô matou de primeira.
- É jade! Tenho certeza! Uma pedra muito utilizada pela civilização Maya, no Iucatán, México. Eles construíam monumentos e peças de ornamentos, como essa, tudo com jade.
- Iucatán? Mas, pelo que vimos no livro, o presente foi dado por uma pessoa que viveu na Babilônia e não no México.
- Sim, é verdade. Mas as pedras de jade também eram muito utilizadas pelos antigos chineses e por povos daquela região da Ásia Central. Dizem que é a pedra mais resistente do mundo, mais dura até que o aço.
Artur olhava atentamente para cada uma das mais de 20 pedras que compunham o colar. Em cada uma delas havia uma espécie de símbolo. Sem saber o que significavam, mostrou-as ao arqueólogo.
- Você consegue decifrar estes sinais?
Manoel pegou o colar e tentou entender o significado dos tais sinais.
- Não, não consigo compreender. Mas olhe bem, Artur. Eles são muito semelhantes àquelas inscrições rúnicas que encontramos nos portais. Com certeza devem ter uma ligação com eles.
Artur falou baixo, para si mesmo.
- Acho que só o nono pode nos explicar isso.
De repente, o jovem Marati pareceu se lembrar de um compromisso.
- O nono! Mãe, Manoel, estamos aqui tão compenetrados com o colar, que nos esquecemos do fato de que precisamos libertar meu avô!
Silvia ficou intrigada ao ouvir aquela afirmação.
- Vocês têm certeza de que era ele?
Gigi procurou acalmar a irmã.
- Si, confie em nós. Quando tudo isso terminar, teremos uma longa conversa e lhe contarei todos os detalhes de tudo o que nos aconteceu.
Rita não comentou nada. Manoel olhou no relógio e ficou assustado.
- Gigi, já são quase 1 hora da manhã! Não é melhor ficarmos aqui mesmo? Você e Artur devem estar exaustos.
Artur, que descia as escadas naquele exato momento, se aproximou dos dois a tempo de escutar a proposta do arqueólogo.
- Não, Manoel, eu quero voltar agora até o portal do contato, no Mosteiro de São Bento. Preciso libertar o quanto antes o meu avô. E tem mais, acho que nem devemos dormir, já que temos pouquíssimo tempo para encontrar o quarto portal.
Nonô não refutou a idéia e se colocou à disposição do jovem. Artur, entretanto, trazia consigo, além do colar, uma comprida caixa de madeira, presa às suas costas.
- O que é isso, filho?
Artur olhou para trás e percebeu que a mãe tinha ficado intrigada por causa do objeto que estava levando.
- Isso? Nada demais. Eu explico mais tarde.
- Ih, seu moleque. Vai começar com segredos comigo?
- Mãe, fica fria que eu sei o que estou fazendo.
Assim, depois de se despedirem de Silvia e Rita, os três partiram de volta para o Mosteiro, onde Moneda e o padre Josué os aguardavam. O parceiro de arqueologia de Manoel ficou contente ao constatar que a busca tinha sido coroada de êxito. Artur trazia à mão o objeto que libertaria seu avô.
- Então esse é o famoso colar de energia? Posso vê-lo?
Hesitante, Artur colocou-o nas mãos do velho arqueólogo que, por sua vez, o avaliou minuciosamente.
- Hum, foi feito artesanalmente com pedras de jade. Muito interessante. Artur, você sabia que alguns companheiros arqueólogos especulam que estas pedras são dotadas de grande potencial energético, mais ou menos como o urânio, só que não nociva? Pois é! Entretanto, jamais alguém conseguiu extrair elementos químicos que pudessem realmente prover energia material. Enquanto o urânio contém partes de substâncias metálicas, o jade é apenas uma rocha sedimentada. Muitos povos acreditavam no poder mágico desta espécie de pedra, por isso acho bastante lógico o que ouvimos no relato do livro. Se há elementos minerais capazes de captar energia etérea, o jade se credencia como o principal deles.
Artur ficou satisfeito com a avaliação de um especialista. Sentia que realmente estava no caminho certo.
- Bom, vamos descer até a câmara?
Manoel se aproximou.
- Você tem certeza de que quer fazer isso agora? Não é melhor deixar para amanhã cedo? Você está cansado, assim como todos nós e...
- Não. Eu quero fazer isso agora! E, de preferência, só com minha mãe e...
O arqueólogo se irritou as exigências do garoto.
- Espera aí. Você está novamente nos tratando como se fossemos os inimigos. Será que ainda não percebeu que estamos no mesmo barco? Deixa um pouco essa desconfiança de lado, Artur.
O jovem olhou nos olhos de Nonô e pareceu se arrepender.
- Tem razão. Desculpe-me novamente. Prometo que não ficarei impondo mais restrições.
- Ótimo. Então vamos começar aqui uma nova relação de confiança. Para começar, pode revelar o que tem aí dentro desta mochila nas suas costas.
Artur se desvencilhou das alças e pôs o recipiente no chão, destravou os pequenos fechos metálicos laterais e abriu uma pequena tampa. Para surpresa de Nonô, o objeto misterioso trazido pelo jovem Marati era um arco e flecha de competição. O arqueólogo ficou intrigado.
- Um arco e flecha? Mas, porque você pegou isso?
Gigi, que assistia à cena de longe, se aproximou e pegou a arma na mão.
- Artur, o que você tem em mente para ter pegado o arco e flecha do seu avô?
- Quero levá-lo comigo para o outro lado.
- Para a outra dimensão?
- Isso mesmo!
Moneda também se aproximou do grupo.
- Meu rapaz, não acredito que seja possível levar algum objeto para o outro lado e...
Gigi interrompeu, completando sua preocupação.
- E de quê adianta, mesmo se conseguisse? Você nunca soube manejar um treco desses!
Artur ficou irritado com tantas opiniões contrárias e censuras.
- Agora é treco, né mãe? Sabe de uma coisa? Eu vou levar assim mesmo! Alguma coisa me diz que tenho que levar o arco e flecha nesta viagem. É como se meu avô me pedisse isso. Não sei explicar.
Gigi se calou, pois sabia que um guardião tinha capacidade de entrar em contato com o outro lado, mesmo acordado. Assim, ela fez um gesto de concordância para os amigos. Manoel, então, andou a passos largos até o armário do quarto e o empurrou para o lado, revelando a alavanca de abertura da passagem para a câmara subterrânea.
- Então vamos! Não vamos perder tempo com ladainhas.
Artur sorriu, pegou suas coisas e seguiu os passos do arqueólogo. Os outros foram atrás, à exceção de Padre Josué, que decidiu continuar no quarto. O grupo desceu carregando as lanternas. Artur, assim que se viu diante do portal respirou fundo.
- Bom, amigos, me desejem sorte. Não quero cair novamente quando estiver de volta.
Moneda se aproximou do jovem e pôs a mão em seu ombro.
- Pode ir tranquilo. Estaremos velando por você.
Gigi beijou-lhe a testa.
- Tome cuidado. Não faça bobagens.
- Fica fria, dona Gigi. Está pra nascer o mané que vai me derrubar.
Assim, segurando o arco numa mão, a cestinha de flechas nas costas e o colar pendurado no pescoço, Artur pensou firme no avô e encaixou a mão no portal. Em questão de segundos, sentiu que estava numa espécie de túnel supersônico. Tudo ao redor parecia correr a mil por hora. Uma luz branca que cegava tomou conta de todo o ambiente. Em segundos o jovem se viu diante de uma enorme estátua de mármore, situada no centro de um imenso salão oval, lugar totalmente sustentado por colunas com mais de dez metros de altura. Numa delas encontrou Luigi amarrado por grossas cordas de fibra.
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